domingo, 5 de março de 2017

Algarve e outros continuam a ser premiados com totolotos

No que toca ao turismo, à visita de turistas, é sabido que o destino Península Ibérica se tornou um grande beneficiário de crises políticas, militares, civilizacionais, entre outras, de destinos concorrentes. Estamos a afirmar o óbvio, já todos sabemos que turismo não rima com terrorismo e que, excetuando os poucos amantes do chamado “turismo político”, as “massas” afastam-se de destinos potencialmente problemáticos. As probabilidades de ocorrerem situações stressantes já são mais que muitas numa viagem ao estrangeiro considerada “normal”, pelo que optar por um destino potencialmente problemático pode ser duplamente stressante.

Assim sendo, tomando em conta o enorme universo dos chamados turistas de sol e praia, sobretudo daqueles que invadem o sul e o mediterrâneo, partindo do centro e norte da europa, pode-se falar de um enorme prejuízo para os destinos instáveis, beneficiando outros mais sossegados, se é que esta é a palavra certa.

Espanha e Portugal despontam para o turismo de massas, o tal das férias de verão que até podem ser em qualquer momento do ano se a meteorologia assim o permitir, em momentos diferentes. Nos anos setenta do século passado, Espanha já era um monstro sagrado, Portugal estava ainda a despertar. Ambos tiveram nessa década profundas alterações políticas e sociais, com maior abertura à Europa e ao mundo. Nessa altura ainda houve espaço para algumas desconfianças, sobretudo em Portugal, mas nada de especial mudou. Pelo contrário, com a estabilização política e a abertura, criaram-se oportunidades novas no setor do turismo. Nunca mais a Península Ibérica parou de crescer no setor, ainda mais com a adesão à então CEE. Tanto que assim foi que ambos os países só registaram quedas de atividade devido a crises económicas nos países emissores, sendo o último e infeliz exemplo a grande recessão global de 2008, felizmente já ultrapassada. Esperamos que definitivamente. Outras crises surgirão a seu tempo, mas, no longo prazo, esta atividade continuará o seu bom caminho.

Sem as conturbações nos destinos concorrentes, o crescimento da atividade continuaria a ser uma realidade embora com ganhos mais modestos, de tal forma que ninguém sentiria ou falaria de um “boom”, apenas de uma “forte retoma da atividade”. Os mercados de sol e praia da Península são maduros, já viveram o seu momento de esplendor, próprio dos destinos novos que viraram moda.
Com a emergência de novos problemas nos destinos concorrentes, até os destinos maduros da Península Ibérica parecem reviver os momentos do seu “big bang” inicial. Crescimento sempre acima do esperado, visitas de novos turistas e retorno mais constante dos “habituais”.

Foi isso a que assistimos em 2015 e mais concretamente em 2016 – é isso que se passa novamente em 2017. É verdade que a Tunísia e o Egito estão, finalmente, a recuperar perdas anteriores. Porém, recuperar perdas é uma coisa, voltar a máximos históricos é outra coisa. Nesse caso, esses e outros destinos ainda estão longe de tal desiderato. O caso da Turquia é mais complexo. Complexo e importante no contexto da concorrência entre destinos congéneres. Sendo mais barato (em termos absolutos) do que os Ibéricos e, nalguns casos, um destino com boa relação qualidade/preço, mais uma vez em comparação com os mesmos, é um destino que “rouba” muitos clientes da europa central e do norte, ou seja, das grandes zonas emissoras de turistas de sol e praia. Com a vantagem de oferecer também cultura e história, algo de que nem todos se podem orgulhar. Com o aumento da insegurança pública, da instabilidade política, enfim, com o advento do terror, foi dos que mais perdeu (lembrar da queda superior a 30% em 2016), para benefício de outros. Havia a expetativa de retornar ao crescimento a partir do segundo semestre de 17, mas a situação está complicada. Agora mesmo, devido a graves tensões políticas, há políticos alemães de diversos quadrantes a ponderar apelar a um boicote às viagens de férias para aquele país. O mesmo se passa na Holanda. Logo países fundamentais quando se fala de mercados emissores. Imagine-se o que pode acontecer, em termos de mercado europeu, se ainda mais turistas desistirem daquele destino!!

Neste caso particular, trata-se de mais um “totoloto” para o Algarve, para a costa sul e ilhas de Espanha, mas também para a Grécia, Bulgária e Croácia, sendo estes dois últimos, mercados em ascensão. No caso da Grécia, após um certo receio devido à proximidade geográfica e à instabilidade financeira, está agora a ocorrer um retorno em forte. Longe vão os tempos em que os helénicos (lá atrás com o início do Euro) decidiram ser um destino “caro”. Agora voltam à realidade da concorrência, muito por força dos vizinhos da europa de leste “descobertos” pelos turistas. Ao mesmo tempo, pode-se dizer: crise a quanto obrigas. Há muita procura pela Grécia para o próximo verão IATA. De Espanha nem vale a pena mencionar as enchentes que vão ocorrer nas Baleares e, de certo modo, nas Canárias e na costa sul do continente.

Portugal iria sempre beneficiar por “default”, mas além do mais, está na moda.

Outro fator de instabilidade, neste caso particular, para o Algarve, prende-se com as consequências económicas do Brexit. Recorde-se que quase metade dos passageiros que desembarcam no nosso “Faro Airport” tem origem no Reino Unido. De momento, é prematuro prever seja o que for, mas não se pode negar que a queda da Libra Esterlina vai ter algumas consequências. Acreditamos que tal se vai traduzir numa pequena queda do gasto médio por cabeça, o que pode ser grave quando se trata de “muitas cabeças”. Felizmente, tal deverá ser compensado pelo aumento de turistas de origem germanófila, do Benelux, França, Itália, Espanha, nórdicos e até do turismo interno.

Em paralelo, continua a ser cada vez mais fácil, rápido, seguro, efetuar reservas de hotelaria através da rede, via computador clássico ou tecnologias móveis. O crescimento segue bem vivo de ano para ano. Por outro lado, alguns operadores (TO) clássicos, sobreviventes da crise e outros com novos paradigmas, têm programas de férias, experiências e pacotes com ofertas mais assertivas (quem não se adapta, morre), as quais contribuem também para o incremento da atividade turística.


Como se vê, de momento, quase tudo contribui para o crescimento de curto e longo prazo entre nós. De maneira que, sem más surpresas e sendo tudo o resto igual, continuamos aqui no nosso “turismo 3.0” confortáveis com a ideia de crescimento para este e o próximo ano, mesmo depois de três anos positivos, com destaque para o último. Se a previsão (média) de crescimento europeu de 2% para o total do “travel market” nos parece sensata porque não embarca em euforias, a nossa previsão para o Algarve, de igual valor ou um pouco acima disso, continua em linha com a realidade a que temos assistido neste primeiro trimestre.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O futuro é hoje

Poderia este novo tópico versar temas quentes como as novidades da aviação comercial, a problemática da navegação aérea e aeroportos, com destaque neste ponto para a tal Portela+1, essa nova velha solução que vai salvar a República e o turismo nacional (ironia), ou como o Aeroporto de Praga consegue “roubar” passageiros a Dresden e Leipzig…
Poderia, sim, mas vamos aguardar por outras novidades que vão surgir nos próximos dias/semanas. Existem umas dúvidas no ar… que merecem ser aprofundadas a seu tempo!

Em vez disso, vamos dar um salto até ao futuro. Importa continuar sempre à frente dos acontecimentos, abordando temas que vão afetar o negócio de grandes e pequenos hoteleiros.

A Expedia, conhecido conglomerado de empresas de reservas de viagens on-line, com origem no universo Microsoft, a mesma que tenta combater o grupo Priceline, conhecido na Europa graças ao portal booking.com, deixou recentemente cair uma informação sobre uma novidade, na verdade uma experiência, que lhe pode trazer vantagens competitivas. Agora, reportagem da norte-americana Forbes vem revelar essa interessante e importante inovação, que procura realmente estar à frente da concorrência. Como lembra bem a renomada revista, os grandes tubarões do universo das reservas on-line, sempre cresceram adquirindo concorrentes ou potenciais concorrentes, eliminando assim o perigo de perderem a dianteira. Por outro lado, procuram sempre estar na linha da frente da inovação com o objetivo de oferecer melhores produtos e serviços aos clientes. O assunto que leva a estas considerações é exatamente a experiência agora em andamento a qual procura entender a “vontade” do consumidor enquanto este faz pesquisas e reservas nos “sites” do grupo. Com a ajuda de voluntários, a Expedia está a tentar entender o conteúdo emocional da navegação nos “sites” durante o processo de escolha de viagens. Num laboratório (à falta de melhor palavra) em Londres, recentemente inaugurado, os voluntários estão ligados a elétrodos que medem alguns comportamentos físicos, como o movimento dos olhos ou a mais pequena reação muscular. Escusado seria dizer que as pessoas estão a navegar num “desktop” nas páginas web da Expedia. As pessoas são ainda entrevistadas por investigadores a fim de aferir o estado de espírito das mesmas durante a navegação nas páginas.

O objetivo deste experimentalismo, óbvio, é o de pensar em formas de reduzir a frustração e o “stress” durante o processo de escolha, de marcação de férias, viagens, etc… a Expedia Londrina descobriu que 75% dos indivíduos nesta amostra considera o processo emocionalmente desgastante, semelhante a um dia mau no trabalho ou a uma discussão com familiares. Um terço da amostra considera o processo confuso e desgastante devido à imensa diversidade de opções a considerar. Adianta ainda a Revista Forbes no mesmo artigo: a Expedia revela que os pesquisadores concluíram que o cidadão/viajante pesquisa, em média, até 48 opções de voo antes de decidir adquirir uma simples passagem aérea. Outro exemplo interessante, neste caso para quem oferece alojamento, é o facto do consumidor se sentir mais tentado a reservar um quarto com base em fotos que mostram uma vista interessante a partir da janela do que em fotos que mostram uma boa cama. No fundo, detalhes que podem permitir à Expedia (empresa que pretende atingir um “market share” das reservas de quartos de Hotel na ordem de 12,5% do total já em 2020) entender melhor o viés do consumidor ao reservar uma viagem ou componentes da viagem – algo que permite melhorar a experiência oferecida ao turista. É um excelente artigo da Forbes, versão norte-americana.
Cada vez mais teremos informações sobre iniciativas do género. A guerra comercial entre as OTA (online travel agencies) tende a aumentar à medida que se torna cada vez mais difícil crescer em relação aos concorrentes, sejam esses “clássicos” ou novas realidades como o Airbnb, portal que finalmente merece a atenção até da hotelaria clássica, situação que podemos considerar como um caso de “se não os podes vencer, junta-te a eles”.

Neste particular, continuando aqui a nossa reflexão sobre situações a ter em conta no futuro próximo, a grande questão prende-se com o que vai fazer o gigante Google. Mais do que rumores, sabe-se que o gigante da Net considerava entrar em forte no “travel market” devido ao sucesso dos seus motores de pesquisa, publicidade, anúncios patrocinados, “ad-words” e por aí fora. Mais recente foi o lançamento da “app” Google Trips com o objetivo de complementar os mapas com uma nova maneira de levar os utilizadores aos locais, aconselhando experiências com base em classificações de outros. Imagine-se uma mistura de Trip Advisor e GPS – e mais alguns itens – e temos uma boa base para o Trips.
Bem, a verdade que o seu “revenue” de publicidade só por conta do setor de viagens e turismo já faz do Google um dos maiores negócios relacionados com o turismo neste nosso querido mundo. Mais da metade com origem nos grupos Priceline, Expedia, Ctrip e Airbnb todos juntos. Nesse caso, como se questiona o “site” da skift.com, por que razão daria o Google um tiro no pé, quando a maior fonte dessas receitas publicitárias são exatamente desses grandes grupos?

Em 2016 o Google terá gerado mais de 12 mil milhões de dólares em receitas publicitárias com origem no “travel market”. Devido às boas margens de comercialização do negócio publicitário, consegue lucros que nenhuma das empresas acima referidas atinge. Como ninguém no seu perfeito juízo está disposto a abrir mão de tão glorioso negócio, ninguém deve esperar que o nosso motor de pesquisa favorito se transforme numa grande agência de viagens. Teria sucesso, mas apenas por trocar dinheiro por dinheiro ou, pior ainda, trocar dinheiro “fácil” por dinheiro mais “complexo”. Como diz no skift.com, o que a Google quer é que o consumidor comece a sua busca por viagens no seu portal. É daí que jorra a fonte inesgotável de receitas. Ou seja, no Google dá-se início à pesquisa para planear a viagem, mas não é a ferramenta de planeamento em si mesma. O próprio Trips é um auxiliar a experiências locais que será uma nova fonte de receitas para a companhia.

Parte desta confusão advém do “Book on Google”. Esta iniciativa para uma nova aplicação foi percebida como um forte concorrente aos dois gigantes norte-americanos, Priceline e Expedia. Mas o objetivo não é o de esmagar aqueles que vão continuar a ser uma fonte de receitas.


Resultado final: os Hoteleiros devem ter em conta estas realidades. Querendo ou não, não há forma de combater estas realidades. Em vez disso, o foco deve ser o seguinte: cada um deve ajustar a estratégia de modo a beneficiar das mesmas o máximo possível. Nenhum grupo hoteleiro é tão grande ao ponto de poder sequer ousar contrariar certas dinâmicas de mercado. Quanto muito, se a dimensão o permitir, podem tomar partido das mesmas, graças às suas próprias dinâmicas inovadoras. O foco deve ser na transparência comercial, na boa experiência do cliente, na relação qualidade/preço (value for money). Importa descomplicar a relação negocial a todos os níveis, importa focar no serviço, pré, durante e pós venda.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Prémios Hostelworld - mais um sucesso também para Portugal

Ocorreu esta semana mais uma Conferência, a 15ª do hostelworld.com, famoso portal dedicado ao turismo jovem, de “backpackers”, símbolo do “low-cost”, de um estilo de vida livre, enfim da bonita vida dos Hostels.

Apesar de se ter perdido um certo “feeling” nos Hostels, hoje cada vez mais padronizados no seu estilo, cada vez mais um negócio puro e duro e cada vez mais longe da ideia inicial de “social travelling”, há que fazer justiça – justiça que as autoridades de turismo nunca fizeram. Lá atrás, nos momentos de crise financeira, nos momentos em que a crise atingiu o turismo, foram os Hostels e alojamentos alternativos que relançaram a atividade, com números positivos de ocupação, crescendo quando todos os outros estavam em estagnação. Pode-se dizer, por desconhecimento de causa, que tal só se passou, por se tratar de uma alternativa barata em tempos de crise. É curto afirmar isso. Isso era real para muitos viajantes, mas o essencial era o gosto pela vida na estrada, no comboio, no avião. Conhecer uma imensa variedade de destinos tão rápido quanto possível. Para muitos, uma reedição da volta ao mundo em oitenta dias. Mas sempre tendo em atenção o espírito comunitário, o desejo de fazer novos amigos, a partilha de conhecimentos, informações e experiências. Esse era o espírito dos anos noventa, o qual ainda esteve em crise, mas foi reeditado ainda com mais força após o ano 2000, sobretudo com o surgimento da Net de banda larga e a popularização das redes sociais.

Atento a isto, o glorioso sr. Feargal Mooney, (ver foto abaixo, cortesia tourismfirst.org) sócio de um clássico Hostel de Dublin, Irlanda, decidiu fundar um portal de reservas on-line dedicado a Hostels e outros meios de alojamento em conta, hoje uma OTA mundialmente reconhecida. Começou por se dedicar às ilhas britânicas, mas num espaço de uma década tornou-se o maior portal do género do mundo. Ainda hoje, apesar da concorrência de portais generalistas de reservas com muito mais meios, continua a ser o maior dos Hostels, fruto do aumento de capital da empresa, parcialmente adquirida por um fundo de investimentos, além da posterior aquisição dos maiores concorrentes. O que restou, não tem expressão em comparação com o Hostelworld.

Neste comentário, o que interessa recordar, são as famosas Conferências de Dublin, tal como a que terminou esta semana. Além do espírito comunitário que unia o “staff” dos Hostels participantes (vai gente de todo o Planeta), além dos eventos sociais paralelos com muitos “drinks” e conversas intermináveis sobre viagens e ideias, estas conferências eram autênticas ações de formação para a Hotelaria moderna, nomeadamente a transição para o chamado turismo 2.0 e mais tarde para o  3.0 – naquelas salas de reunião, naqueles painéis de discussão, sempre se esteve muito à frente, razão pela qual o sucesso foi facilmente garantido. Como é bom hoje lembrar, só para dar um exemplo, do discurso entusiasmado de um amigo do Google, há muitos anos, falando sobre SEO, de quão importante isso se ia tornar, do espanto do auditório perante esses novos conceitos. Ou a importância das “mobile reservations”, algo que muitos hoteleiros ainda não interiorizaram como presente, achando que isso é coisa do futuro. A larga maioria dos Hoteleiros clássicos ainda nem sequer tinha noção de assuntos que foram tratados nessas Conferências. Nesse particular, diga-se, ser pioneiro valeu e rendeu para quem estava no terreno.
Quinze anos depois do primeiro evento, pode-se dizer que já não é como dantes, já não há grandes novidades que nos possam surpreender, o que é fruto de uma globalização, generalização dos chamados “conhecimentos avançados”.

Mas há algo que nunca se perde nesta iniciativa: o caráter social, o “networking” e os prémios para os melhores Hostels do mundo, os chamados “Hoscars”. Vale a pena lembrar que foi graças a estes prémios e não a outros, que os Hostels portugueses ganharam a fama nacional e internacional que muito haveria de contribuir para o turismo português, para mais emprego e rendimento. Terminamos assim esta modesta homenagem com o destaque dos Hostels lusitanos que ganharam menções nesta edição de 2017:
Na categoria de melhor Hostel de pequena dimensão (até 75 lugares), o famoso Travellers House de Lisboa ficou em terceiro lugar. Vale a pena lembrar que o Travellers foi durante muitos anos o melhor do mundo.
Agora o melhor ocorreu na categoria de melhor Hostel de média dimensão (até 150 lugares).

1º - Home Lisbon Hostel (também o 3º melhor da Europa na tabela geral e 1º em Portugal)
2º - Yes! Lisbon Hostel
3º - Lost Inn Lisbon
E ainda ficaram outros três no “top 10”. Fabuloso.
Até na categoria seguinte, de Hostels até 350 lugares, temos um português, em 10º lugar, neste caso o Tattva Design do Porto.
Na categoria de melhor ambiente (social), temos o melhor do mundo em Lisboa, o Goodmorning Lisbon, outro clássico da capital portuguesa.

Houve tempos em que quase só ganhavam Hostels deste país. Diz-se até que foram mudados os prémios e alguns critérios para dar hipóteses aos outros. Não temos dúvidas de que terá sido assim.
Estão todos de parabéns por terem conseguido mostrar que, em Portugal, as pessoas anónimas é que fazem o turismo ser o que é. São as pessoas reais, comprometidas com o turista, que fazem com que sejamos um destino cada vez mais apreciado. Os Hostels, antigo patinho feio do turismo, mostraram como se faz e, sobretudo, como se faz bem. Mas o grande vencedor é sempre o Hostelworld, na figura do Feargal, aquele que acreditou que estava certo quando todos os outros caiam na hesitação, na descrença. Foi bom para todos.

Que assim continue o sucesso!


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Resultados e tendências positivas

Apesar de nos encontrarmos na época baixa ou superbaixa, sinal de férias para muitos hoteleiros que vão esperando pelas férias dos futuros hóspedes / clientes, há sempre novidades importantes que merecem partilha.

Em primeiro lugar, registe-se a deceção de vários colegas envolvidos no “travel market” com os mercados de inverno em destinos de sol e praia. Há quem nunca tenha tido ilusões. O “boom” do turismo não se aplica à época baixa, quando a apetência para viajar para certos destinos é também ela baixa ou quase nula. Ou não haveria época baixa. Os meios de transporte escasseiam no inverno (leia-se LCC com menos rotas) e as condições meteorológicas levam ao desânimo, seja pelas dificuldades nos aeroportos, seja pelas condições no destino. A Europa é o que é. Mesmo assim, ainda que haja um aumento de turistas na época baixa, a base de comparação é tão baixa que qualquer aumento é pouco percetível como tal. Existem, ainda assim, mercados mais ou menos tradicionais de inverno, que vão fazendo o seu caminho. Um dos casos a nunca esquecer é exatamente o do Golfe. Apesar dos investimentos (miopia de capital) desenquadrados da realidade, como se o Golfe fosse o eldorado do inverno, como se a concorrência entre campos e resorts não tivesse provocado a compressão de preços, como se o Dubai, entre outros destinos, nunca tivessem visto a luz do dia, dificultando ainda mais a política de vendas, apesar de tantas dificuldades, o Golfe é sempre um segmento a ter em conta, mais ainda no inverno que oferece poucas alternativas fora das realidades das grandes cidades e espaços históricos.

Outro setor que cai no esquecimento (se é que alguma vez de lá saiu) é aquele que é para muitos o patinho feio do Turismo: o Caravanismo. Quem andar a passear neste inverno frio por este Algarve repara seguramente na quantidade impressionante de autocaravanas em tudo o que é parque, homologado ou não. Cada vez são mais viaturas. Isto é mais do que uma viagem, isto é um estilo de vida. Claro que isto não é interessante para as unidades de alojamento. É bom para supermercados, sobretudo os que oferecem um posto de combustível. Porém, com a promoção certa, é possível gerar algum benefício de inverno para restaurantes, cafés e bares. Há que estar atento e à frente das tendências. Só para dar uma ideia desta moda, a feira de Caravanismo de Estugarda teve 70 mil visitantes nos primeiros três dias. Foi já este mês, tendo-se concluído que é mais uma frente em que se batem todos os recordes.

Apesar de todos os receios, ataques terroristas e demais contrariedades, as viagens internacionais para países estrangeiros voltaram a aumentar em 2016 segundo números provisórios da UNTWO (organização para o turismo das Nações Unidas). A subida em relação ao ano anterior (já havia sido ano recorde) terá sido de 3,9%. Cerca de mil duzentos e trinta milhões de seres humanos de todo o Planeta viajaram ao estrangeiro. Quase 20% da população mundial. Um sucesso já explicado neste blog. O nosso “target” continua a ser os mil e quinhentos milhões a breve prazo. Se tudo correr bem, tal deverá ocorrer antes de 2025. Vale a pena recordar que estes números significam o dobro dos números de 1990 – foram precisos 25 anos para duplicar o número de viajantes para o estrangeiro. Devido a uma série de fatores relacionados com a expansão económica, não cremos que haja outra duplicação em 25 anos. Porém, não será impossível chegarmos aos dois mil milhões num espaço de duas décadas ou algo assim.
São estes números que nos trazem otimismo. Em 2017 espera-se ainda uma expansão a nível mundial entre 2 a 4% - só as reservas online de viagens deverão crescer cerca de 5% segundo a média de alguns estudos mais conservadores. Podemos adiantar que certas unidades hoteleiras da Península Ibérica estão já em Janeiro com impressionantes níveis de reservas para períodos como a Páscoa ou os feriados de Junho (datas próximas em Portugal e Espanha), incluindo unidades com ocupações já acima dos 95%.
Mas se o mundo online cada vez mais tem maiores quotas de mercado, o mundo offline reage. Na verdade, a grande reação dos operadores que sobreviveram às mudanças foram precisamente os que aceitaram e adotaram as ditas evoluções. Hoje falamos de um operador norte-americano, a Tourico Holidays, que anunciou há poucos dias a sua “global hotel trends report for 2017”. Surpresa das surpresas, temos um estudo feito em 4.500 destinos, relativo a 80 mil propriedades turísticas.
Maior surpresa: os primeiros dados de 2017 mostram um aumento global de 28,7% (?) no número de reservas. Turistas dos EUA e da União Europeia aumentaram as reservas em cerca de 28% em relação ao ano anterior. Um espanto, tendo em atenção os números recorde do ano anterior. Mais do que um “boom”, isto é a confirmação do turismo como grande motor de crescimento da economia global. Nos próximos anos teremos seguramente uma recessão como muitas ao longo da história. Mas o importante aqui é salientar a tendência de longo prazo. Continuamos a acreditar em crescimento de visitantes e de receitas para 2017 também em Portugal, embora isso não se manifeste no 1º trimestre do ano, até porque, desta vez, o calendário da Páscoa cai só em Abril. A grande força deve-se manifestar nos segundo e terceiro trimestre, podendo se expandir ainda para parte do último trimestre.
Dois países que não estão a crescer (considerando o total do território) neste setor: Reino Unido e França, por razões distintas. Porém, como países emissores, continuam a crescer, sendo a Península Ibérica uma zona amplamente beneficiada. Se juntarmos a isto mercados emissores como o Benelux e a zona germanófila, temos uma excelente base de clientes e uma rampa para manter o crescimento atual.

E o nosso “amigo” O`Leary, CEO da Ryanair, a famosa LCC que já se tornou a maior companhia aérea europeia, destronando a Lufthansa, veio dizer agora que o acordo entre a gigante alemã e a semifalida Air Berlin não passa de uma anedota. Irritado pela proibição de compra (em 2011) da rival Air Lingus, devido à possível cartelização, vem agora anunciar que vai falar com as autoridades da UE sobre o negócio alemão. No mínimo, vai agitar as águas. Vale lembrar que a “Ryan” transportou 117 milhões de passageiros em 2016, aumento de 15%. Entretanto, a Lufthansa não dorme em serviço, consolida a marca Eurowings para esse combate “low-cost”. Agora, vamos ter bilhetes múltiplos de dez viagens. Qualquer turista que conhece o “metro” de Paris ou o “tram” de Amesterdão sabe bem como funciona: compra-se um rolo de dez bilhetes para efetuar precisamente dez viagens com desconto. Agora vem a Eurowings com esse sistema, que deve ser inédito em termos de aviação comercial. Seja como for, é mais uma ideia, um incentivo para ajudar ao aumento das viagens e turismo.


Para terminar por hoje, números do Eurostat agora revelados sobre o turismo na União Europeia em 2016. Embora sejam valores provisórios, o número de dormidas em hotelaria no território da União atingiu quase 2 mil oitocentos e cinquenta milhões, subida de 2%. Confirmam-se as quedas de dormidas referidas acima em França e Reino Unido. Ainda assim, os destinos favoritos da EU continuam sendo Espanha, França, Itália e Alemanha (já havíamos referido estas situações no tópico sobre o “boom”). Os números finais virão depois, mas isso pouco importa. Já sabemos que o balanço é positivo. O que vale é a continuação do crescimento para os próximos tempos. Nesse particular, como vimos, as perspetivas continuam positivas.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Entre perdas e ganhos...

Para começar o texto de hoje, uma perda comum nos tempos que correm: o operador britânico de viagens e cruzeiros All Leisure Group deu o estoiro. Há muito que procurava compradores para os seus negócios de cruzeiros mas ninguém foi a jogo. Tinha em carteira milhares de reservas que serão agora canceladas. É provável que mais notícias do género surjam na imprensa em 2017.

Agora um ganho: a Lufthansa vai contratar cerca de três mil novos funcionários, principalmente para a companhia mãe, mas também para a “filha” Eurowings. Este grupo emprega 120.000 funcionários em todo o mundo e está muito confiante para 2017 apesar de alguns problemas. Já em Janeiro podem voltar as greves. Aliás, também a British Airways deverá ter greves no pessoal de cabine, dias 10 e 11 de Janeiro.
Por falar em companhias aéreas: a mencionada companhia Alemã é considerada a 12ª mais segura do mundo, atrás da “nossa” TAP que é a 10ª mais segura. Estar no “top 10” é uma maravilha. Vale lembrar que o último voo realmente “maldito” da TAP foi há já 40 anos aproximadamente. O triste acidente na ilha da Madeira. Mais uma prova que o Oriente hoje dá cartas também na aviação comercial é o “top 3” desta lista (abaixo), que é compilada pela Jacdec, organização que monitoriza acidentes e incidentes deste importante setor:
3º - Eva Air (Taiwan)
2º - Emirates (Dubai)
1º - Cathay Pacific (Hong Kong)

Falando ainda em ganhos: não é só o Algarve que fecha o ano com fortes ganhos no Turismo. Já há números finais do turismo na Tailândia, outro mercado maduro, que fechou 2016 com ganhos de quase 9% no número de estrangeiros que visitaram o país - aqui vale lembrar que o mercado Chinês naquele país cresceu 12%, o que prova que as novas gerações de turistas asiáticos também vão para destinos “quentes”, sendo aquele um caso de um “mix” de cultura e tradições com sol e praia, entre outros pontos fortes.
E agora perdas terríveis: não podia deixar de ser a Turquia. Em 2016, como sabemos, perde um terço dos visitantes estrangeiros. A esperança de uma recuperação, ainda que ténue, para 2017 morreu junto com as dezenas de vítimas do atentado de Ano Novo. Para piorar as coisas, dois dos turistas mortos vinham da Alemanha, algo que afeta negativamente o grande emissor de turistas para aquele país. É uma situação terrível, sobretudo quando belíssimos hotéis estão a baixar preços, operadores fazem ofertas baratas como há muito não se via, sem que isso resulte. Não há preço que mude a psicologia das massas. Segundo estudo do portal HRS não há hoje nenhuma cidade grande no mundo com descontos tão grandes como os das grandes cidades Turcas.

Segundo o portal “touristik-aktuell”, a procura por destinos na Turquia (no que resta do inverno) sinaliza quedas de 5% - claro que isto resulta de sondagens, mas diz muito sobre o que se passa. Ainda por cima são números pré-atentado do dia 1º de janeiro.
Por outro lado, os mesmos estudos sugerem que o viajante alemão está a querer regressar ao Egito, mostra interesse por viagens a destinos mais longínquos, os quais estão a ter boa procura, bem como os “clássicos” destinos Grécia, Espanha e Portugal. Neste caso estamos a falar de reservas antecipadas para 2017 – aproveitando algumas oportunidades de preços mais favoráveis. É verdade que se trata apenas do mercado alemão. Mas isto sinaliza a possibilidade real de ganhos nos referidos países reforçando o bom desempenho dos últimos anos. O grande aumento das reservas em operadores clássicos (Dezembro 2016) vai para a Grécia, com destaque para Kos, Rhodes, Heraklion. Enfim, mantém-se a tendência: perdas na Turquia (entre outros), ganhos na Península Ibérica, Grécia, Caraíbas. Para a Páscoa 2017, há uma forte procura para as Canárias e para as Baleares, isso é já um dado adquirido, algo que se pode estender a Portugal.

Para terminar: estamos em pleno inverno com sol no Algarve, embora as noites estejam fresquinhas. Mas nada que se pareça com neve. Por falar em neve, ela cai na Europa central e do norte. As montanhas Suíças são um destino emblemático nesta altura. E quando o verão chega num local famoso pelo frio?

Quando o verão chega pode dormir num inovador quarto de Hotel sem paredes nem teto. Ver as estrelas é fácil. Veja a foto e sorria. Pode não parecer, mas este Hotel tem “room service”, tem Concierge, tem até pacotes “all inclusive”. Enfim, um Hotel sem estrelas, mas bom para ver as verdadeiras estrelas.