E aí está a grande gala final do "World Travel Awards 2017" realizada em Phu Quoc no Vietname, com mais uma vitória para Portugal. O evento realizou-se no belíssimo Emerald Bay, hoje, parte integrante da Marriott: www.marriott.com/hotels/travel/pqcjw-jw-marriott-phu-quoc-emerald-bay-resort-and-spa tendo sido mais uma organização de sucesso. No tópico anterior, tínhamos abordado a recente edição europeia dos prémios em São Petersburgo.
O Vietname mostrou ao mundo que é, não só um destino emergente, mas uma terra com potencialidade e capacidade. Ainda bem. Neste "blog" não se promove a inveja, mas antes a satisfação potencializada pela qualidade e pela capacidade.
O destino líder de 2017 é Portugal, como já todos viram e ouviram na TV.
O Turismo de Portugal é a entidade do género premiada também a nível mundial e a cidade de Lisboa ganha como melhor "city break". Os Parques de Sintra ganham na categoria dedicada à conservação. Este ponto merece-nos um destaque especial: há pessoas "escondidas" que muito trabalham para a qualidade do turismo sem que disso beneficiem tanto quanto deveriam. Um ponto a refletir.
Resultado final: a procura por Portugal continuará e ainda não chegaremos a um ponto em que Portugal se tornará um "destino cansado". Haveremos de falar nisso muito em breve. As perspetivas para o futuro próximo seguem muito positivas. Há que continuar a fazer mais e melhor para garantir um bom futuro, não só imediato, mas a longo prazo.
Por agora, fica o quadro de honra desta cerimónia. Chamamos a atenção para um detalhe: a crescente força e importância do médio oriente e da Ásia/Pacífico na realidade do turismo mundial. E não vai parar por aqui.
Parabéns a todos os vencedores.
Um espaço de discussão e informação sobre Turismo diferente e muito à frente. "We start where the others stop"
domingo, 10 de dezembro de 2017
domingo, 1 de outubro de 2017
Mais uma série de vitórias no World Travel Awards 2017
O ano passado foi nas Maldivas e Portugal mostrou a sua garra. Agora, na 24ª edição do WTA, em São Petersburgo, somos os grandes vencedores, com Portugal a merecer o grande prémio, sendo considerado o destino líder na Europa, ano 2017. Parabéns a todos os hoteleiros e demais envolvidos no setor.
Vejamos a lista total de vencedores europeus, conforme a página oficial do evento:
Vejamos a lista total de vencedores europeus, conforme a página oficial do evento:
O nosso Algarve, cheio de Sol, a renovar o título de melhor destino de praia - e deverá assim continuar por muito anos, é outro dos grandes destaques.
Parabéns também ao Pestana Porto Santo, unidade de muita classe, assim como ao Hotel Quinta do Lago e ao Vila Joya, mais uma vez premiados com toda a justiça. Para não falar do Epic Sana Algarve, também a renovar o título com toda a justiça, bem como o Conrad Algarve e o Monte Santo Resort.
Como se pode ver na lista, o Turismo de Portugal volta a estar de parabéns, bem como a cidade de Lisboa e diversas unidades hoteleiras lá localizadas e ainda outros destinos no país.
Uma nota à parte: a melhor OTA foi booking.com (não é surpresa) e o melhor operador foi a Thomas Cook que tira o título à TUI. Vai ser uma "guerra" interessante entre ambas no futuro.
Além das distinções internacionais, há prémios por país, seguindo-se então a lista dos melhores internamente, os quais merecem os nossos melhores desejos de muito sucesso. Entre estes portugueses, vários algarvios a merecerem destaque:
sexta-feira, 26 de maio de 2017
Alojamento Local - corrigir um erro por linhas tortas
Já passaram cerca de seis
meses desde a publicação do tópico “Alojamento Local – negócio ou outra coisa
qualquer?”, o qual pode ser facilmente encontrado no arquivo. É bom revê-lo
para melhor entendermos este novo tópico.
Na época, insurgimo-nos
contra a lentidão do legislador a reagir às realidades socioeconómicas. Também
sobre o facto de a atualização das condições do AL ter sido muito
“Lisboa-dependente”. Afinal, problemas que surgiram na capital, já o eram há
muito noutras terras onde o turismo já era uma atividade preponderante nas
respetivas economias. Na altura, o Tribunal da Relação de Lisboa anunciou um Acórdão que deu razão a uma Assembleia de
Condóminos que queria impedir um dos proprietários do prédio em causa de abrir
o seu estabelecimento de alojamento local. Na verdade, a decisão estava tomada
em outra instância, mas o proprietário avançou com uma providência cautelar
para parar essa proibição, situação que foi derrubada pelo Tribunal da Relação.
Desconfiávamos que o assunto iria parar ao Supremo Tribunal de Justiça. Assim
foi. Este último acabou por dar razão ao proprietário, contrariando a Relação
de Lisboa. Apesar de incrédulos pelo facto do Tribunal superior ter aceite a
argumentação de que, ainda que a propriedade seja usada para um negócio, não
deixa de ser uma habitação, não sendo assim considerado imóvel comercial (!),
não ficámos surpreendidos pela decisão.
Apesar de não
termos formação superior em Direito, continuamos a pensar que um imóvel
habitacional, terá de ser considerado “também” comercial, pelo que facto de
nele se desenvolver uma atividade que, do ponto de vista da fiscalidade, é
exatamente igual a um hotel ou a um parque de campismo, etc… mas, reafirmamos,
a situação não nos surpreende por uma simples razão: o STJ entendeu não forçar jurisprudência em relação a uma situação que havia sido alvo de mudanças
recentes por parte de quem tem autoridade para legislar. Sendo assim, havia na
letra de Lei uma alteração recente que “per si” justificava esta decisão.
Queremos com isto dizer que a nova legislação que regula o chamado Alojamento
Local deixou cair uma premissa antiga na qual se exigia que um estabelecimento
do género, se localizado num imóvel em propriedade horizontal, só poderia ser
registado como tal com autorização do condomínio, sendo necessário apresentar
mesmo uma cópia da ata da assembleia geral do mesmo, onde a decisão favorável
tenha sido tomada. Sem isso, não era possível dar-se início ao processo de
registo e legalização. Ou seja, a nova lei deixou cair este parágrafo, ficando
subentendido que o proprietário podia fazer o que quisesse, sem pedir nada a
ninguém. A partir daí, os vizinhos (enfurecidos) de proprietários de
estabelecimentos de AL tentaram, por falta de alternativa, recorrer aos
tribunais, alegando que o código civil ainda impedia a transformação, sem
autorização, de imóveis habitacionais em imóveis comerciais, alegando que esses
imóveis subordinados ao AL eram “de facto”, ainda que não “de jure”, imóveis
comerciais.
Acreditamos que
é uma boa alegação, as razões já as explicámos nesse velho tópico. Mas a grande
questão continua a ser a falta de bom senso do legislador. Deixar cair a dita
exigência sem mexer na restante legislação é, no mínimo, bizarro. Bizarro
porque leva a interpretações dúbias, situação que fica bem à vista pelas
sentenças divergentes das diversas instâncias judiciais.
Tudo o que foi
referido nas linhas anteriores seria mais do que suficiente para recuperar a
anterior premissa: voltar a necessidade de autorização do condomínio. Essa
iniciativa veio agora de alguns deputados do PS, alegando que é necessário
disciplinar esta atividade económica em condomínios, leia-se, propriedade
horizontal. As restantes bancadas Parlamentares acolheram a ideia como positiva
e prometem fazer propostas para melhorar as mudanças. Claro que, no meio de
toda esta situação, há sempre um “mas”. O que parece ser uma singela intenção
de moralizar uma questão potencialmente geradora de conflitos, só surge por
motivos políticos. Como a população “votante” começa a manifestar o seu
desagrado pela falta de habitação na cidade de Lisboa (gentrification), o que é
ainda mais sensível, tratando-se de ano de eleições municipais, os políticos
decidiram pela mudança da lei. Uma atitude certa, portanto, mas pelos motivos
errados. O que eles pretendem é “estancar” os pedidos de autorização para novas
AL em apartamentos. Assim, sem autorização do condomínio, resta ao senhorio o
arrendamento urbano normal, o qual não carece desse tipo de autorização. Nesse
caso, voltaria a haver oferta de espaços para arrendar, mesmo sabendo que os
preços seriam elevados. Na verdade, os senhorios não ficam a perder: atendendo
aos preços praticados no arrendamento urbano, a hipótese de ganhar dinheiro é
muito grande. Na verdade, podem auferir mais do que através do Alojamento
Local, devido ao aumento exponencial da concorrência neste setor. Do ponto de vista da
fiscalidade, as coisas começam a ser mais favoráveis para quem arrenda do que
para quem “faz turismo”. Por outro lado, aqueles que trabalhavam na
clandestinidade através das plataformas de reserva, estão agora perdidos. As
reservas confirmadas ficam no sistema das mesmas, as quais informam agora anualmente
a AT quem são os contribuintes e respetivos proveitos. O tempo dos “espertos”
está a acabar.
Falta ainda
entender como o legislador vai resolver um problema: se o dono do apartamento
necessitar mesmo de pedir autorização ao condomínio, o que fazer em relação aos
que continuam hoje, até ver, a se licenciar como AL? Fica assim? Vai haver prédios
onde uns conseguiram e outros já não vão conseguir a mesma coisa? Vai haver um
período de transição para aqueles que já estão licenciados? Vai haver,
seguramente, muito barulho em torno desta questão.
A nossa
mensagem é clara: já que pretendem “mexer” na legislação do AL, aproveitem para
reunir as associações do setor turístico, de modo a corrigir não só essa
questão, mas também quaisquer outras que possam causar engulhos. Precisamos de
ter tranquilidade legislativa em toda a Hotelaria. Precisamos de uma ou duas
décadas de estabilidade a este nível, até porque sem isso, não é fácil atrair
mais e melhores investimentos nacionais e estrangeiros. Mais do que nunca,
atendendo à importância crescente do Turismo, é preciso estabilidade e bom
senso.
sexta-feira, 12 de maio de 2017
Urgente: novas unidades hoteleiras algarvias podem não abrir como previsto
Como a escassez de habitação está a ser um problema para o próprio Turismo
Não, hoje não vamos falar da bronca recente no Aeroporto de
Lisboa, apenas uma de muitas que ocorrerão, infelizmente, à medida que a
capacidade se for esgotando até rebentar pelas costuras.
Hoje vamos falar de uma consequência óbvia, já esperada, do
atual “boom” do turismo. Mais uma vez há que levantar o assunto porque, ao que
parece, ninguém se está a preocupar com as consequências do dito… para
o próprio setor do turismo. Todos sabem como temos avisado para o
crescimento do setor de viagens e turismo. Ainda é cedo, mas estamos quase a
rever em alta as previsões do crescimento em Portugal para 2017. Deixamos
apenas um exemplo, segundo a Blick alemã. Há mais germânicos a reservar em
Portugal (25% a mais do que no ano passado), número impressionante, só ultrapassado
pela Islândia e Chipre. Sabe-se também que a Grécia deve subir (total
estrangeiros) uns 10%, pelo que Portugal poderá também atingir números
semelhantes.
Em Portugal, o primeiro quadrimestre foi um sucesso e alguns
lugares parecem viver um verão “todo o ano”, tal o aumento de turistas,
sobretudo estrangeiros. Considerando que temos agora a França a ultrapassar o
Reino Unido em termos de gastos totais, considerando que os chamados “mercados
maduros” estão em alta, bem como os mercados menos relevantes, há razões para
acreditar que voltaremos a bater recordes atrás de recordes.
Tudo isto tem várias implicações: maior volume de negócios,
desde logo dos supermercados que têm de atender às necessidades diárias dos
turistas de alojamento “self-catering”, aos estabelecimentos da área de
F&B, alguns dos quais estão com aumentos de faturação muito significativos,
empresas de transporte e rent-a-car e, claro, entre muitos outros, de toda a
sorte de alojamentos turísticos, classificados ou não. Este acréscimo de movimento
é positivo, diminuindo a sazonalidade e aumentando o rendimento de empresários
e funcionários. Para não falar que, por óbvia necessidade, existem mais
funcionários. Atendendo a esta realidade, atendendo também à saída, nos últimos
anos, de muitos profissionais de hotelaria do país, graças a ofertas
monetariamente mais vantajosas e mais seguras do ponto de vista laboral (sem
falar do espírito de aventura e da experiência nova para quem quer melhorar o
CV), temos uma enorme escassez de mão-de-obra em praticamente todas as áreas da
hotelaria e similares. Ainda que essa escassez produza melhorias salariais, o
problema não se resolve de uma forma simples. Melhores salários não são
sinónimo de aumento de mão-de-obra disponível numa determinada região, pelo que
é necessário recorrer a recursos humanos do exterior, nomeadamente de outros
pontos do país. Este problema é grave em Lisboa e gravíssimo no Algarve. Aqui,
há uma imensa falta de profissionais de F&B (muito grave) e de “housekeeping”.
Este problema não é inteiramente novo, mas conhece agora novos contornos. Era
muito comum ofertas de emprego com possibilidade de alojamento, sobretudo para
atender à procura da temporada alta (nalguns casos até 6 meses de contrato). O
problema novo prende-se com a falta de alojamento “em conta” para o trabalhador
comum.
Na realidade, devido à soma de fatores bem conhecidos, o
mercado imobiliário está novamente ao rubro. É praticamente impossível comprar
um imóvel por um preço acessível, o mercado das vendas está inundado, isso sim,
por imóveis bem caros para “outros públicos”, onde se incluem aposentados da EU
ou candidatos ao chamado “gold visa”. Como se isso não bastasse, o arrendamento
a preços razoáveis é quase impossível devido à adesão em massa ao negócio do
Alojamento local, agora mais facilitado por plataformas como booking.com,
airbnb, entre muitas outras. Cabe esclarecer que somos favoráveis ao AL, até
porque isto representa diversas formas de alojamento com muita procura, nem
todas “low cost”, mas consideradas importantes para responder ao aumento da
procura, ao mesmo tempo que “liberta” os Hotéis com melhores infraestruturas
para tipos de público mais “sofisticados”, sobretudo tratando-se de unidades
com uma preocupação séria em recuperar o espírito social do espaço e a oferta
de serviços e “amenities”.
A grande questão é a seguinte: considerando que muitos
imóveis “desapareceram” do mercado, quer de venda, quer de arrendamento de
longa duração a favor do aluguer turístico de curto prazo (eis a função do AL),
o mercado imobiliário ficou “distorcido”. A realidade é cruel. Em Lisboa o
problema ainda pode ser “disfarçado” pela imensidão em que se tornaram os municípios
vizinhos – ainda que tal seja considerado “gentrification”, não deixa de ser
uma solução para moradia acessível para a maioria da população. Mas no Algarve não se trata
disso. Simplesmente não existem praticamente habitações para quem queira vir de
fora para trabalhar. Para se ter uma
ideia clara do que afirmamos, o município de Albufeira tem hoje mais de 3.000 fogos licenciados para AL. Em Lagos serão mais de 2.300 fogos. Por todo o
Algarve, a situação repete-se com maior ou menor dimensão. Se é verdade que,
outrora, tal já ocorria, especialmente na época alta, hoje verificamos que
estas habitações, moradias ou apartamentos estão consignadas em exclusivo a
esta atividade. Recorde-se que a facilidade (simplex) de início de atividade,
prevista na legislação em vigor, conjuntamente com a expetativa de participar
nos rendimentos do atual “boom” turístico levam à ampliação desta atividade até
níveis extremos. Acaba por se tornar uma moda, pode vir a ser mais uma
gigantesca bolha, daquelas que acaba em desilusão.
Mas o que importa é a consequência imediata (e para o futuro
próximo) desta realidade. Não há habitação para possíveis migrantes ou
imigrantes que procurem trabalho. Ficarão postos de trabalho por preencher.
Não só no turismo, mas sobretudo no turismo. Isso causa imenso “stress” para
quem quer desenvolver e mesmo expandir a sua atividade, os seus negócios. As consequências
ficarão bem visíveis não só na presente temporada (já parece Verão) mas nas
próximas, caso o crescimento continue, ainda que não tão evidente. Seja como
for, crescimento é crescimento. Ponto final. Os pressupostos que levam a este
texto mantêm-se inalterados.
É um assunto que não está na imprensa “mainstream”, mas não
demorará muito. Sobretudo, se se confirmarem rumores a que este blogue teve
acesso e que são já de si extremamente negativos: é bem possível que duas novas
unidades hoteleiras no Algarve, as quais deveriam abrir no Verão, não consigam
abrir as suas portas ao público, como previsto. Uma abertura em pleno Verão já
seria complexa, devido à falta de pessoal qualificado que se tornou estrutural.
Dado que estamos a atravessar esta novíssima crise, a falta de pessoal torna-se
gritante, incomportável. Não se podem abrir unidades de 4 ou 5 estrelas com “meia-receção”,
“meio-restaurante” ou “meia-limpeza”. Em breve saberemos se estes rumores são
mesmo verdade. Esperemos que não, mas, ao se confirmarem, vão acabar por
colocar o dedo na ferida de um problema que não passa de um acidente à espera
de acontecer. Este assunto ainda vai dar pano para mangas.
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